Música sob medida: a influência da dinâmica entre compositores e cantores na criação musical no século XVIII
Palavras-chave:
ópera, século XVIII, música antiga, canto, barrocoResumo
O repertório canônico operístico atual se apresenta, geralmente, como uma herança cultural do passado cultivada no presente, à qual os cantores de hoje necessitam se adaptar. No início do século XVIII, no entanto, quando o gênero se encontrava em pleno fervor criativo na Itália (e começava a se afirmar como um produto de exportação) a música era, como se sabe, composta especialmente para os cantores selecionados. Apesar dessa aparente flexibilidade, a relação entre cantores e compositores nem sempre eram alheias a tensões causadas pela ideia de que cada um fazia da sua arte – sobretudo numa época em que a ornamentação e a improvisação estavam na ordem do dia. Quem era o verdadeiro criador da peça? O compositor ou o intérprete? Essa relação, não raro conflituosa, é também retratada nas sátiras e paródias das “óperas sobre ópera” (ou meta-óperas), espécie de sub-gênero muito popular durante o século XVIII. Uma das grandes vantagens da análise dessas sátiras meta-operísticas é que estas fornecem, em forma de ironia, um olhar detalhado sobre certas práticas da criação musical da época (assim como das relações profissionais e pessoais entre os seus vários sujeitos) que raramente são cobertas pelas fontes tradicionais da historiografia musical.