Solfeggio, Partimento e Marches d’Harmonie: O aprendizado da teoria musical entre os séculos XVIII e XIX de Nápoles a Paris
Palabras clave:
partimento, contraponto, teoria musical, música prática, harmoniaResumen
Por muito tempo predominou a visão de Carl Dahlhaus de que a partir do século XVIII “nenhuma teoria musical italiana teve condições de exercer qualquer influência para além dos Alpes, com exceção dos tratados especulativos de Giuseppe Tartini e dos livros eruditos de Padre Martini”. Entretanto, tal afirmação não encontra respaldo no largo corpus de fontes relativas ao ensino da composição musical no século XIX, especialmente na França (solfège, accompagnement, harmonie pratique, contrepoint e marches d’harmonie). Assim, apresentaremos um panorama do ensino do contraponto prático (solfeggio, partimento e contraponto escrito) em Nápoles no século XVIII, para então traçar sua influência no ensino profissionalizante da Paris oitocentista, principalmente no Conservatoire, mas também nas Maîtrises. Pautando-se em diversas fontes primárias, esperamos evidenciar que o ensino do que hoje chamamos de “disciplinas teóricas” fazia parte do domínio da música prática. Além disso, explicitaremos que, embora desafiador ao pesquisador moderno, o estudo dessas fontes pode trazer reflexões significativas para a didática musical nos dias de hoje.